Startup e EMBRAPII desenvolvem tecnologia de controle biológico de lavouras por drones

Com o objetivo de tornar o controle de pragas nas lavouras mais estratégico e seguro para os agricultores, a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII), por meio Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP) – Unidade EMBRAPII -, apoiou a startup Sardrones, de Ribeirão Preto (SP), a desenvolver o sistema do “Dispenser Voador Sardrones”, que cria dispensers customizados para serem acoplados a drones. Os recipientes, feitos em impressora 3D, carregam copos biodegradáveis que levam agentes biológicos para serem distribuídos nas lavouras.

Como funciona

O drone é programado e distribui os agentes biológicos de maneira estratégica, de acordo com a dosagem e o mapeamento pré-definidos pelo produtor. Os pilotos de drone seguem para as áreas escolhidas e dali iniciam as operações de liberação de biológicos. A proposta de uso de dispensers em drones otimiza o manejo de insumos agrícolas naturais em diversas culturas, como por exemplo, soja e hortifruti. O material biológico é comprado em laboratórios pelos próprios produtores, que podem contratar a startup para realizar a aplicação nas lavouras por hectare.

O aplicativo, desenvolvido no âmbito do projeto apoiado pela EMBRAPII, mostra ao cliente onde foram lançadas as embalagens com os agentes biológicos. Com isso, é possível ter acesso a informações mais precisas e em tempo real de dados como temperatura, hora e local de distribuição, por exemplo.

Agentes biológicos são distribuídos em copos biodegradáveis. Crédito: Divulgação Sardrones

Atualmente, essa é a tecnologia mais moderna e eficaz de dispersar agentes biológicos. Na maneira tradicional, os trabalhadores entram em canaviais carregando copinhos e liberando os agentes biológicos a cada 50 metros, em um esforço totalmente manual. “É um trabalho bastante exaustivo, perigoso e de baixíssimo rendimento”, explica Luis Gustavo Scarpari, CEO da Sardrones.

O projeto apoiado pela EMBRAPII apresenta diversas vantagens: há economia de recursos para compra de produtos e pagamento de mão de obra; são usados menos agrotóxicos e menos produtos químicos, trazendo menor impacto ambiental; e, por fim, ao usar drones para distribuir o material biológico nas lavouras, é possível aproveitar os trabalhadores para outros serviços menos exaustivos, perigosos e insalubres, com a vantagem de chegar a locais inacessíveis para pessoas, como áreas de declive, por exemplo.

A pesquisa, que teve início em 2020 com a previsão de durar 24 meses, envolve profissionais das engenharias mecatrônica, elétrica, eletrônica e agrônoma, além de profissionais técnicos e um estudante da área de agronomia. Atualmente, a tecnologia está em plena operação e entre os clientes da startup estão grandes grupos, como a BP Bunge Bioenergia, a Usina Jalles Machado e a Raízen, que vêm contribuindo para melhorias no projeto final. “Os clientes participaram muito do processo, foram parceiros. O feedback deles é que existe “o antes” e “o depois” dessa solução, pois viram rapidamente o quanto a tecnologia pode agregar em qualidade operacional, ao permitir que eles aproveitem melhor dos recursos tempo e mão de obra, agregando mais valor à sua produção, pelo fato de estarem usando menos produtos químicos, por exemplo”, avalia Luis Gustavo.

O CEO da Sardrones descreve o apoio da EMBRAPII como essencial para o desenvolvimento da nova solução: “Foi fundamental, porque o recurso financeiro é o que mais ajuda. Para quem tem uma empresa pequena isso é importante, além de poder ter acesso ao conhecimento, às ideias e à equipe técnica oferecidos pela Unidade EMBRAPII, nesse caso a ESALQ/USP”.

 

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