Revista Analytica Edição 143 – Disponível para leitura
A edição 143 da Revista Analytica chega em julho de 2026 em um cenário de avanços irregulares na indústria brasileira. Após quatro meses de crescimento, a produção industrial recuou 0,2% em maio, enquanto produtos químicos, farmoquímicos e farmacêuticos e metalurgia registraram expansão. O contraste mostra um ambiente em que competitividade depende de controle de processos, redução de perdas e decisões sustentadas por dados confiáveis.
Na área regulatória, essa exigência ganha contornos mais claros. A proposta de revisão da RDC nº 166/2017 busca aproximar os requisitos brasileiros das práticas internacionais. Os guias ICH Q14 e ICH Q2(R2) consolidam uma abordagem baseada em conhecimento, risco e ciclo de vida. O método deixa de ser tratado como solução estática e passa a exigir acompanhamento de desempenho, robustez e adequação ao uso.
Esse contexto orienta a presente edição. Novas plataformas de espectrometria de massas de alta resolução, colunas para moléculas terapêuticas complexas e ferramentas de inteligência artificial aplicadas à análise celular apontam para um laboratório mais veloz, seletivo e assistido por software. Desempenho em amostras reais, qualificação, rastreabilidade e reprodutibilidade permanecem centrais.
Na espectrometria de massas, a escolha entre ESI, APCI e APPI demonstra como o mecanismo de ionização pode determinar sensibilidade, seletividade, robustez e suscetibilidade aos efeitos de matriz. A fonte adequada depende das propriedades do analito, da composição da amostra, da fase móvel e do objetivo do método.
Os artigos dedicados à cromatografia examinam variáveis igualmente decisivas. A seleção de membranas e filtros de seringa, a ordem de preparo da fase móvel e os fundamentos de HPLC de partição mostram que etapas rotineiras podem afetar estabilidade, recuperação, repetibilidade e vida útil do sistema. Métodos robustos são construídos pela compreensão das variáveis e pela padronização das práticas.
Essa perspectiva também orienta as investigações analíticas. Diante de um cromatograma inesperado, o método costuma ser o primeiro suspeito, embora desvios possam ter origem na coluna, na amostra, no equipamento, nos reagentes ou na execução. A experiência do analista e uma investigação estruturada são indispensáveis para distinguir falhas reais de variações circunstanciais.
Os artigos científicos centrais ampliam o debate para a mineração e o tratamento de água. O estudo sobre geometalurgia mostra que diferentes tipologias de hematita e goethita influenciam perdas de ferro, consumo de reagentes, recuperação na flotação e qualidade das pelotas. O trabalho sobre micelas adsorventes obtidas da casca de banana-da-terra verde investiga o aproveitamento de um resíduo agroindustrial para remover íons metálicos e corantes, aproximando química verde, economia circular e tecnologias ambientais.
A edição aborda ainda a contaminação por resíduos de antibióticos em alimentos e recursos hídricos, tema que demanda métodos sensíveis, monitoramento consistente e prudência na interpretação dos riscos. Nesse campo, química analítica, segurança dos alimentos, proteção ambiental e saúde pública convergem.
Entre instrumentos de alta resolução, práticas de bancada, mineralogia aplicada e materiais sustentáveis, a edição 143 reafirma uma ideia essencial: a qualidade analítica nasce do conhecimento da amostra, do método e do processo. É essa combinação que transforma medições em evidências e resultados em decisões tecnicamente defensáveis.
Agradecemos aos leitores, parceiros, clientes e colaboradores da Revista Analytica, cuja confiança e participação tornam possível a continuidade deste projeto editorial e fortalecem uma comunidade comprometida com a ciência, a qualidade e o desenvolvimento técnico.
Boa leitura!
Carlos Eduardo R. Costa