A análise de nitrosaminas já se consolidou como uma das maiores prioridades da indústria farmacêutica nos últimos anos. Após os primeiros alertas envolvendo sartanas, o tema ganhou escala global e passou a exigir monitoramento contínuo, métodos altamente sensíveis e avaliação sistemática de risco.
Agora, um novo desafio começa a ganhar espaço.
Estudos recentes e comunicações regulatórias indicam a identificação de nitrosaminas que não estavam previamente incluídas nas listas de monitoramento. O problema não está apenas na presença dessas impurezas, mas no fato de que muitos métodos analíticos atuais não foram desenhados para detectá-las.
O limite dos métodos direcionados
Grande parte das estratégias analíticas adotadas pela indústria baseia-se em abordagens direcionadas. Métodos de LC-MS/MS são desenvolvidos para detectar compostos específicos, previamente conhecidos, com alta sensibilidade e seletividade.
Essa abordagem funciona bem quando o alvo é definido.
Mas, apresenta uma limitação clara.
Se o composto não estiver na lista, ele simplesmente não será detectado.
Esse cenário ganha relevância com o surgimento de novas nitrosaminas, formadas a partir de diferentes rotas químicas, condições de processo ou interações inesperadas entre excipientes e matérias-primas.
O desconhecido passa a ser o risco
A discussão deixa de ser apenas sobre níveis de detecção e passa a ser sobre cobertura analítica.
O desafio agora é garantir que o método seja capaz de capturar compostos que ainda não foram totalmente mapeados.
Isso muda o papel da análise; saindo do foco exclusivo na quantificação de alvos conhecidos e entrando na necessidade de identificar potenciais impurezas não previstas.
HRMS e abordagens ampliadas ganham espaço
Nesse contexto, a espectrometria de massas de alta resolução (HRMS) passa a ocupar uma posição estratégica.
Diferentemente dos métodos direcionados, abordagens baseadas em HRMS permitem:
• screening ampliado
• identificação de compostos desconhecidos
• análise retrospectiva de dados
Essa capacidade amplia o controle, mas também traz novos desafios, principalmente na interpretação de dados e na validação de resultados.
Impacto direto na rotina da indústria
A presença de nitrosaminas inesperadas exige uma revisão mais ampla das estratégias analíticas.
Na prática, isso implica em análises de caráter exploratório:
• reavaliação de métodos existentes
• integração entre abordagens direcionadas e não direcionadas
• maior atenção ao desenvolvimento de processos
• fortalecimento da avaliação de risco
Uma mudança de abordagem
O cenário atual indica uma transição importante; métodos direcionados continuam sendo essenciais para quantificação e controle de rotina, mas, deixam de ser suficientes como única estratégia.
A química analítica passa a incorporar uma abordagem mais abrangente, combinando sensibilidade com capacidade de descoberta.
O desafio não é apenas detectar o que já conhecemos.
É estar preparado para identificar o que ainda não está mapeado.