Redução unilateral na TEC vai acelerar mais ainda a desindustrialização do Brasil

A ABIQUIM – Associação Brasileira da Indústria Química alerta sobre os riscos ao Brasil da anunciada redução de 10% na Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul, depois da reunião de ontem do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior – GECEX/CAMEX. Tal medida, tomada sem nenhum diálogo prévio com os setores produtivos ou apontamento dos impactos dessa deliberação, incide sobre quase todas as importações brasileiras, e é devastadora para a renda, o emprego e a indústria do País.

É fundamental a imediata suspensão de todo e qualquer processo decisório pelo GECEX/CAMEX relativo a eventual novo corte tarifário generalizado, seja no montante de 10% ou outro valor, até que se realize amplo processo de consulta pública sobre a metodologia, base legal e impactos econômicos dessa medida.

Isso posto, a ABIQUIM reitera seu compromisso setorial em apoiar o Governo na elaboração de políticas públicas que façam frente aos desafios estruturais da competitividade, com foco na melhoria do ambiente de negócios e no comércio justo e leal, possíveis somente com um sistema de defesa comercial fortalecido, técnico, pragmático, coeso e isento.

A ABIQUIM congrega cerca de 160 indústrias químicas de grande, médio e pequeno portes, fabricantes de produtos químicos e prestadores de serviços ao setor, geradoras de 2 milhões de empregos, US$ 142,8 bilhões de contribuição ao PIB brasileiro – representando o 11% do PIB industrial, 6ª maior indústria química do mundo.

Em matéria de integração internacional, o setor químico brasileiro conta com atual e expressivo patamar de exposição setorial ao mercado global: 40% de presença dos importados no consumo nacional de produtos químicos, representando praticamente 25% das aquisições brasileiras de mercadorias do exterior (as importações de US$ 33,8 bilhões em 2010 saltaram para US$ 41,4 bilhões em 2020 e US$ 60,8 bilhões em 2021), a um nível médio tarifário de 7% (média simples) e com alíquota efetiva de aproximadamente 3,5% (estimativas com uso de regimes aduaneiros especiais e preferências comerciais), nível totalmente em linha com o praticado pelos países membros da OCDE.

Vale refletir aqui que uma profunda insegurança jurídica, aliada ao elevado custo Brasil, em especial por conta de matérias-primas com preço mais elevado (especialmente o gás, 4 vezes mais caro) e baixa oferta e tributação mais elevada, somada a essa rebaixa de imposto de importação, tendem a agravar o quadro de redução de investimentos em ampliação de capacidade produtiva na indústria em geral e na química em especial. No setor químico, os investimentos, em razão desses fatos, caíram de uma média de US$ 2 bilhões por ano para menos de US$ 500 milhões anuais.

O turbulento atual cenário econômico global, particularmente agravado pela prolongação dos danosos efeitos da pandemia de COVID-19 e da guerra da Rússia contra a Ucrânia, exige especial responsabilidade e sensibilidade, sendo imprescindível concentrar esforços e recursos na busca de soluções equilibradas para os desafios de reativação econômica sustentável e a atração de investimentos produtivos, o que somente será possível se forem priorizadas as medidas adequadas, a partir de um consenso entre as autoridades e a sociedade.

Nesse contexto, a inserção internacional tem que exercer sua centralidade como uma Política de Estado, de longo prazo, de competitividade da indústria, e deve estar alicerçada em: ampla interlocução com os setores produtivos e avaliação dos impactos econômicos, respeitando as particularidades de cada setor; previsibilidade e segurança jurídica; reciprocidade e respeito às regras fundamentais do Mercosul e da OMC.

Fonte: ABIQUIM

Related posts

ADLM atualiza diretrizes analíticas para testagem de drogas em urina em serviços de emergência

Nanomateriais magnéticos multifuncionais avançam no desenvolvimento de biomateriais regenerativos

Computação além do silício, moléculas que aprendem e a nova fronteira da eletrônica inteligente