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Experiência brasileira na recuperação de solos ácidos é referência para a Etiópia

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Autoridades do Ministério da Agricultura da Etiópia estiveram na sede da Embrapa nesta segunda-feira (2), em reunião com pesquisadores e o presidente substituto da Empresa, Cleber Soares. Na pauta principal do encontro, os desafios da produção agropecuária do país africano e como a ciência brasileira pode contribuir para o crescimento da produtividade do campo.

Outro assunto foi o projeto de apoio técnico relacionado ao manejo de solos ácidos, realidade que mais tem prejudicado a agricultura etíope e causado preocupação entre os produtores e o governo. A iniciativa está em fase final de ajustes entre a Embrapa e a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), financiadora das ações que preveem orientação técnica, a partir da adoção de boas práticas de correção de solo com o uso de calcário.

Segundo o pesquisador da Embrapa Solos e líder do projeto, Vinícius Benites, há três anos a Empresa foi demandada pelo governo etíope, mas o escopo do projeto só foi definido em 2018, quando começou a se concretizar, com a ida de pesquisadores brasileiros ao local, para encontros com as equipes técnicas estrangeiras. Além da Embrapa e da ABC, a parceria inclui o Ethiopian Institute of Agricultural Research (Eiar), instituição de pesquisa vinculada ao Ministério da Agricultura da Etiópia.

“Durante uma das nossas idas ao país, o então ministro da Agricultura nos disse que gostaria de fazer pela Etiópia o que a Embrapa havia feito pelo Brasil”, comentou Benites. Segundo ele, vai ser mais fácil resolver o excesso de acidez do solo etíope do que foi no Cerrado brasileiro. “Mas é preciso que haja uma estrutura, logística adequada e uma indústria privada bem definida que dê suporte a todo esse trabalho”, alertou. “Não cabe à Embrapa, por exemplo, montar a estratégia de distribuição do calcário que será necessário. Para isso, será fundamental um esforço do governo local”.

Na opinião do pesquisador, diante dessa realidade, existe um potencial de contribuição de empresas brasileiras ligadas à indústria de calcário, interessadas em atuar fora do país. “E consequentemente, se abrir o mercado para calcário, haverá também um mercado para máquinas de aplicação e demandas para análise de solo, que poderão ser beneficiadas com a tecnologia da Embrapa”, disse.

Ainda durante a reunião com as autoridades, o presidente substituto Cleber Soares fez um relato da transformação do perfil brasileiro, ocorrida nos anos 70, quando o País deixou de ser importador para se tornar um dos líderes no ranking de produtividade e exportação de alimentos. “A revolução conduzida pela tecnologia no campo foi surpreendente, principalmente na região do Cerrado, que também enfrentava problemas com solos ácidos”, afirmou.

Mobilização

O diretor de Melhoramento da Fertilidade do Solo do Ministério da Etiópia, Tefera Solomon, destacou a expectativa do país de adotar estratégias que solucionem o problema. “A consequência tem sido o abandono do campo, principalmente pelos jovens, que buscam oportunidades na cidade”, lamentou. Atualmente, a alta acidez do solo afeta cerca de 3,5 milhões de hectares de terras agricultáveis no país. Uma força-tarefa e o Comitê Gestor para Promoção Nacional da Calagem estão mobilizados para elaborar recomendações políticas nos próximos quatro meses.

Além da Sede, a delegação da Etiópia participou de reuniões na Embrapa Cerrados, Embrapa Arroz e Feijão e Embrapa Solos, além de visitas a locais de extração de calcário e áreas recuperadas, com o objetivo de trocar experiências com produtores beneficiados.

No encontro na Sede também estiveram presentes o gerente de projetos da  ABC, Antônio Junqueira, e o chefe-adjunto de Pesquisa da Embrapa Cerrados, Marcelo Ayres.

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